Obama e o escândalo dos bônus da AIG

Talvez o presidente Barack Obama tenha se arriscado ao sair na frente e gritar aos quatro cantos a sua indignação, com os pagamentos dos bônus milionários da AIG. Talvez não.

O caso está explodindo. A população americana, revoltada, não parece disposta a deixar a história esfriar. Muito menos a imprensa. Agora a pouco a advocacia geral divulgou nomes de 73 executivos que supostamente já teriam recebido mais de US$ 1 milhão, cada, em suas contas bancárias no final de semana.

O executivo da seguradora AIG, Edward Liddy, está em Washington e acaba de ter uma reunião fechada com alguns membros da sub-comissão de economia da Câmara. Depõe agora publicamente para defender o pagamento dos bônus.

Enquanto isso, Obama acaba de deixar a Casa Branca rumo à Califórnia, onde participa de reuniões municipais e grava participação no programa Tonight Show da rede NBC, que deve ir ao ar nesta quinta-feira. Bom mesmo Obama estar longe de Washington hoje, não?

O presidente americano está correndo contra o relógio. Ele tenta por tudo que o Congresso aprove o orçamento. O seu discurso pode se perder em meio ao escândalo, ele pode não ser ouvido ou perder a credibilidade. Até agora os estrategistas da equipe de Barack Obama tem se mostrado eficazes. Mas algumas pesquisas começam a ser divulgadas apontando queda na aprovação do governo do democrata.

É, o cidadão mais ilustre da América parece estar andando em corda bamba.

O lixo da CNN

Não é falta de paciência e muito menos implicância pura e gratuita. É sim decepção. Por que, afinal de contas, eu realmente não esperava assistir tanta porcaria junta de uma só vez.

Por vezes, desde que mudei para os Estados Unidos, há um ano, me pego ligada na CNN por horas a fio. Tudo bem, intercalo com a MSNBC, que agora sei o quanto é infinitamente melhor.

Resolvi escrever por que simplesmente é impossível deixar passar batido alguns dos terríveis programas apresentados pela emissora. Alarmistas, terroristas, dramáticos e quantos outros adjetivos puderem usar, são todos apropriados neste caso.

O de ontem me deixou muito brava. O apresentador Anderson Cooper, uma estrela televisiva do universo CNN, estava transmitindo das ruas de Los Angeles. Uma das paradas dele na série de reportagens tratando da recessão e como superar os tempos difíceis.

O tipo de programa melodramático e alarmista que eu não aguento mais ver exibido na CNN. Aliás, não aguento mais ver ponto. O país está mal das pernas, eu sei, você sabe, o mundo sabe. Mas será mesmo que esse lixo disfarçado de jornalismo é bom pra alguém?

Um dos personagens apresentado pelo programa de ontem está desempregado há alguns meses. Tem um apartamento em Manhattan, uma casa nos subúrbios de Nova Iorque e outra de campo em Virgínia. Está tão abatido e preocupado com a economia, que não consegue dormir e, por isso, por isso mesmo, passou a tomar medicamento para passar a noite toda nos braços de Morfeu. Oras! Inacreditável.

Executivos da AIG podem perder bônus

O presidente Barack Obama, em uma tentativa de monstrar seriedade e pulso forte com relação a situação econômica do país, busca impedir que a seguradora American International Group (AIG) pague bônus milionários aos seus executivos.

Obama ordenou ao secretário do Tesouro americano, Timothy F. Geithner, que encontre todas as alternativas legais possíveis para evitar tais pagamentos.

As muitas tarefas de um presidente

Pois bem, que o governo Obama deve mesmo se dedicar a economia americana, que anda de mal a pior, não há dúvida. No resultado da enquete aqui do blog, 57% apostaram nessa prioridade para os 100 primeiros dias do novo presidente.

Mas o que parte da imprensa americana e muitos comentaristas do lado de cá não param de reclamar, é da quantidade de áreas que Barack Obama tem enfrentado. Na semana passada foi a saúde, que aqui na enquete do blog não recebeu nenhum voto e é prioridade para o Presidente americano.

Ontem teve célula-tronco na pauta do governo e assim tem sido. Cada dia um tema abordado pela nova administração democrata. Como me parece muito natural.

A reclamação, no entanto, tem sido tamanha, que o porta-voz Robert Gibbs, secretário de imprensa de Obama, teve de justificar as ações do chefe para os jornalistas que cobrem a Casa Branca. Segundo Gibbs, o Presidente é capaz de executar muitas tarefas ao mesmo tempo.

Obama e a economia americana

A apenas 12 dias da posse, o futuro Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em um pronunciamento sobre a economia do país agora a pouco, diz que a crise econômica é resultado de uma “era de profunda irresponsabilidade”.

Até agora Obama tem mantido o planejamento estratégico. Vem a público falar sobre os seus planos para a nação seguindo o “script” direitinho. É impressionante o nível de organização e disciplina da equipe e do Presidente eleito.

Claro, o mar não está pra peixe. Ontem a maior e mais tradicional rede de lojas de departamento, Macy’s/Bloomingdale’s anunciou o fechamento de 10 de suas lojas no país. Segue o caminho de tantas outras que já fecharam nos últimos meses.

Barack Obama parece não tem muitas alternativas e pede ao Congresso americano para que trabalhem juntos para encontrar o melhor caminho para revitalizar a economia do país. Os mil dólares vai ajudar, mas não resolve.

Quando se alistar faz sentido

Conheci Nathalie ontem. Ela tem 18 anos, mas completará 19 no final do mês e isso pra ela faz diferença. Nathalie é uma graça de menina e me chamou a atenção principalmente por querer se alistar na Força Aérea americana.

O motivo, segundo ela, não tem nada a ver com patriotismo. “Meus pais não tem dinheiro para me mandar para a universidade, eu não tive boas notas e não consegui bolsas de estudo em nenhuma faculdade, não tenho profissão e é difícil arrumar emprego”, diz a jovem. “Na Força Aérea eu terei uma boa formação, terei o meu trabalho e um bom salário”, conclui.

Lendo o East Valley Tribune hoje cedo dei de cara com uma reportagem sobre o aumento do número de jovens que estão se alistando ou re-alistando nas Forças Armadas em função do declínio na economia americana. De acordo com a notícia, a maioria dos jovens busca se alistar no Exército e na Força Aérea, com um aumento, em média, de mais de 20%, especialmente de outubro pra cá, se comparado com o mesmo período em 2007.

Sem condições de pagar para estudar, porque do lado de cá pode não ter vestibular pra passar, mas estudar é caríssimo, a jovem Nathalie me parece um dos personagens da reportagem do jornal. Busca nas Forças Armadas uma oportunidade de trabalho, de estudo. Ter um emprego fixo com salário certo no final do mês é a garantia que em tempos de recessão não se encontra por aqui. É aí que se alistar faz todo sentido.