Dona Salvina

Uma daquelas lembranças da infância. Daquelas que você nunca esquece e pouco fala, mas quando aparece a oportunidade e você finalmente comenta, é como se estivesse vivendo tudo outra vez e já não consegue mais apagar.

Da rua lá de casa, os vizinhos são a lembrança predileta. Dona Salvina foi uma delas. Umas duas ou três casas à esquerda estava a dela. A deles, porque ela tinha família, marido e filhos. Mas Dona Salvina é que é a estrela do meu filme.

Já estava com cabelos brancos a Dona Salvina. Pra mim ela nasceu assim. Combinava com ela e com os coques que usava o tempo todo. Eu nem sei direito o por que, mas eu frequentava muito a casa da Dona Salvina.

Brava que só ela, me deixava ficar por ali por horas a fio. Às vezes na sala, muitas outras na cozinha. Lembro de a minha mãe ter ido me chamar na Dona Salvina algumas vezes. Era sempre um lugar pra me procurar se não soubesse exatamente onde eu estava.

Dona Salvina morreu. Morreu faz um bom tempo e há muitos, muitos anos eu não falava nela. Talvez por ter sido criada longe de avós, talvez porque ela me deixava comer o que cozinhava, talvez porque Dona Salvina tenha sido encantadora e generosa, mas principalmente porque suas mãos me abençoavam de alguma maneira e essa é uma daquelas lembranças de infância que não se esquece jamais.

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3 Respostas

  1. Que post gostoso!Dona Salvina teria ficado feliz com a homenagem… Adoro essa sensação de nostalgia boa! Não saudade que se tem do que foi e fica-se lamentando. Não, saudade de um tempo bom, que faz a gente dar um sorriso toda vez que lembra, né? Tenho mtas lembranças boas assim! Beijos

  2. nunca ouvi dessa Dona Salvina!!! porque você nunca falou dela pra mim? ela perece ter sido uma pessoa muito boa…beijos

  3. Foi a primeira pessoa que conheci em Porto Velho. A nossa casa era separada pela dela apenas por um lote vazio que servia de lugar para vocês brincarem. Foi minha Mãe, amiga, vizinha. Era a pessoa que sempre me socorria em todos os momentos. O neto dela o Francinaldo regula de idade com você.Em meus 58 anos nunca houve vizinhos como D. Salvina e sua família.

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